Reflexões sobre o Encontro Trinacional
Que experiência incrível participar do Encontro Trinacional 2025 em Filadelfia, Paraguai! Cheguei cheio de curiosidade e um pouco nervoso por fazer parte do encontro onde uma centena de mulheres indígenas e agricultoras do Gran Chaco Americano (Argentina, Paraguai, Bolívia) vieram compartilhar suas histórias, desafios, lutas e sabedoria única de suas comunidades.
Foi maravilhoso ver como as redes foram tecidas entre tantas mulheres diversas. Não importa de onde vieram, todas compartilhavam uma paixão por cuidar de nossa terra e defender nossos direitos. Os diálogos foram ricos, e senti que suas vozes, que às vezes são silenciadas, ressoaram fortemente.
Mesas Temáticas e Propostas
O encontro não foi apenas para ”conversar”, foi para construir! Participei de várias mesas temáticas e foi muito intenso. Os temas foram extremamente importantes e intimamente relacionados com a realidade das mulheres:
- Discutimos a importância da terra para a vida e a cultura.
- Pensamos em maneiras de criar oportunidades e capacitar as jovens.
- Compartilhamos como o Chaco está sendo impactado pelas mudanças climáticas e o que pode ser feito.
- Reafirmamos a liderança das mulheres e discutimos nosso papel na tomada de decisões.
- Falamos sobre como o cuidado e uma vida livre de violência são fundamentais para avançar.
Tudo com o objetivo de construir propostas concretas que levassem a outros espaços importantes, como o Encontro Mundial do Chaco Americano (EMCHA) e a COP 30.



Um Sentido de Força Coletiva
A cerimônia de encerramento foi muito emocionante. Em meio a canções, cerimônias e abraços, percebi o imenso poder das mulheres se unindo. O slogan “Nós movemos o território” deixou de ser apenas uma frase bonita e se tornou uma verdade palpável.
Graças ao trabalho de comunicação da EMANCIPA, que desempenhou um papel fundamental na implementação, ficou claro que simplesmente reunir e debater não era suficiente; cada ação, proposta e conquista precisava ser comunicada de forma clara e simples. Este esforço garantiu que o trabalho que fizemos no encontro e as vozes das mulheres do Gran Chaco Americano fossem ouvidas muito além de Filadelfia. A comunicação estratégica transformou o projeto de um único evento em uma poderosa história de luta e esperança.

Empatia e linguagem
Dentro da equipe da EMANCIPA, quero destacar uma pessoa fundamental: Mónica Bareiro. Seu trabalho foi absolutamente fundamental para alcançar a participação ativa e sincera de todas as mulheres.
Mónica tinha uma forma de trabalhar muito acessível e direta. Ela se dedicou a realmente ouvir, entender as necessidades e construir confiança. Mais poderosamente, Mónica usou a língua guarani como uma ponte.
- Falar guarani não era apenas usar uma língua; era um sinal de respeito e reconhecimento cultural.
- Permitiu que muitas mulheres indígenas e rurais se sentissem completamente confortáveis e confiantes em se expressar.
- Essa interação fluida e natural quebrou barreiras e permitiu que conhecimentos, desafios e propostas viessem à tona em toda a sua força.
A abordagem de Mónica demonstrou que, quando se trata de defesa e empoderamento, às vezes a ferramenta mais poderosa não é a tecnologia mais avançada, mas o calor humano e a capacidade de falar “a mesma língua”. Ela foi um exemplo de como a comunicação empática é uma ferramenta fundamental para que todas as vozes, sem exceção, ressoem e façam a diferença.



Uma Lição Fundamental: Comunicação Eficaz
Se uma coisa ficou comigo depois de participar do Encontro Trinacional de 2025, é a enorme necessidade de as mulheres terem as ferramentas para contar nossas próprias histórias e saber como comunicá-las!
Uma das lições mais valiosas que aprendi é que devemos trabalhar para capacitar as mulheres com habilidades de comunicação por meio da Fundação de Jornalismo. Não se trata de ser especialista em mídias sociais ou tecnologia complicada, mas de ter ferramentas claras e simples para nos expressarmos.
Por que isso é tão importante?
- Para ajudar o mundo a entender os desafios que enfrentamos como mulheres no Gran Chaco (mudanças climáticas, violência, falta de reconhecimento econômico, etc.), precisamos comunicá-los de forma eficaz. Se nossa história for clara, é mais fácil para os outros se juntarem à nossa causa.
- Defender o território e os direitos é vital. Aprender a comunicar o que fazemos, por que fazemos e o que precisamos nos ajuda a obter apoio e dar peso à nossa voz nas mesas de tomada de decisão (como EMCHA ou COP 30).
- Para fortalecer a liderança. Quando uma mulher se sente confiante em como compartilha sua experiência e propostas, sua liderança é fortalecida. A comunicação é uma ferramenta poderosa que nos permite ser as protagonistas de nossa própria história.
Eu entendi que a comunicação não é um luxo, mas uma necessidade fundamental. Se soubermos nos expressar bem, nossas histórias, desafios e propostas não apenas permanecerão dentro dos limites de uma reunião, mas também transcenderão fronteiras e alcançarão o impacto que precisamos para um futuro melhor.
Quero expressar minha sincera gratidão por me permitir fazer parte deste encontro incrível. Verdadeiramente, tem sido uma experiência que me marcou profundamente.
Além dos debates e propostas, levo muitas ideias novas para projetos para continuar trabalhando. Este espaço abriu meus olhos para novas formas de pensar e, acima de tudo, para como podemos melhorar a socialização de projetos que surgem de nossas comunidades.
Ver o compromisso e a sabedoria de tantas mulheres do Gran Chaco me mostrou que temos as soluções em nossas mãos. Agora, a tarefa é clara: continuar promovendo essas iniciativas locais e encontrar maneiras mais eficazes para que todos, dentro e fora do território, conheçam o valor do que fazemos.

Colaboração no Futuro
A experiência no Encontro Trinacional foi duplamente enriquecedora para mim! Como parte da Fundação de Jornalismo, tive a valiosa oportunidade de compartilhar as experiências e necessidades das mulheres do Chaco diretamente com a liderança.
Com base nesse objetivo, vemos uma excelente oportunidade de trabalhar em projetos concretos para fortalecer as capacidades das mulheres. Isso significa fornecer-lhes ferramentas para uma comunicação mais assertiva, dando-lhes as habilidades de que precisam para contar suas próprias histórias, defender seus projetos e amplificar suas vozes em cada ação.
Sinto que este encontro em Filadelfia plantou a semente perfeita. O próximo passo é buscar uma colaboração sólida e apresentar projetos estratégicos com outras instituições. Isso fortalecerá significativamente a liderança e a defesa das mulheres!
Da Fundação de Jornalismo (Fundación para el Periodismo), estendemos nossa mais profunda gratidão à Voices for Just Climate Action e SouthSouthNorth por nos convidar a fazer parte desta reunião importante. Agradecemos muito a oportunidade de participar de um evento desta magnitude, realizado no coração do Gran Chaco Americano, e reafirmamos nosso compromisso com a região.
