LAMU CELEBRA VITÓRIA HISTÓRICA ENQUANTO TRIBUNAL BLOQUEIA PROJETO DE USINA A CARVÃO
Em 16 de outubro de 2025, o povo de Lamu celebrou uma vitória histórica após o Tribunal Ambiental e Territorial de Malindi confirmar o cancelamento da proposta de usina a carvão de 1.050 MW em Kwasasi-Lamu. A decisão do tribunal reafirmou que o projeto violava as leis ambientais e o direito constitucional dos quenianos a um ambiente limpo e saudável sob os Artigos 42 e 69.
7 de novembro de 2025
Esta decisão trouxe alegria e alívio aos residentes de Lamu que haviam resistido incansavelmente ao projeto de carvão por anos. Para a Aliança das Mulheres de Lamu (LAWA), esta não foi apenas uma vitória no tribunal; foi uma vitória pela justiça ambiental, empoderamento das mulheres e proteção das gerações futuras.
Tudo começou quando membros da comunidade, através do Save Lamu, souberam dos planos da Amu Power Company de construir uma usina a carvão ao longo da costa de Lamu. O projeto representava uma séria ameaça à biodiversidade do condado, aos ecossistemas marinhos e ao patrimônio cultural, enquanto colocava em risco os meios de subsistência dependentes da pesca, agricultura e turismo. O que começou como algumas vozes preocupadas logo se transformou em um movimento unificado, que se recusou a deixar o desenvolvimento industrial destruir a biodiversidade, o patrimônio da comunidade e o futuro.

Após receber apoio do programa Voices for Just Climate Action (VCA) sob o Projeto de Inclusão das Mulheres na Justiça Climática, a Aliança das Mulheres de Lamu (LAWA) se juntou ao movimento DeCOALonize, uma coalizão nacional de organizações que defendem uma transição energética justa e sustentável no Quênia. Outros parceiros neste movimento incluem: Save Lamu, Natural Justice, Katiba Institute, Heinrich Böll Foundation e 350 Africa, entre outros. Através da colaboração, permanecemos firmes na defesa contra o carvão em Lamu.
Através do apoio do VCA no Projeto de Inclusão das Mulheres na Justiça Climática, a LAWA treinou e sensibilizou as comunidades locais sobre os riscos à saúde e ambientais da energia do carvão. Isso foi alcançado através de treinamentos, fóruns comunitários e campanhas pacíficas, em colaboração com o Save Lamu, que liderou a luta legal contra o recurso do carvão.
Ao focar no empoderamento de mulheres e jovens, a LAWA garantiu que o povo de Lamu compreendesse as implicações completas do projeto e pudesse tomar ações informadas para defender seus direitos.
Nossa luta nunca foi sobre dizer não ao desenvolvimento, foi sobre dizer sim ao tipo certo de desenvolvimento, disse Raya Famau, Diretora Executiva da Aliança das Mulheres de Lamu. Sabíamos que o carvão destruiria nossa terra, nosso mar e nossa saúde. Como mulheres, nos sentimos compelidas a agir porque somos as primeiras a sofrer quando o meio ambiente é prejudicado.
Durante os procedimentos judiciais, a LAWA permaneceu ativa e presente, com a diretora executiva representando a LAWA ao comparecer às audiências, oferecendo apoio moral às comunidades e contribuindo para documentários produzidos pelo Save Lamu que capturaram a jornada de resistência.

A vitória foi mais do que uma conquista legal; foi um reflexo da resistência coletiva e do poder de base. Provou que as comunidades podem desafiar interesses poderosos e ter sucesso quando guiadas pela unidade, informação e coragem.
Para as mulheres, esta vitória foi profundamente pessoal. Elas há muito temiam os potenciais impactos à saúde da poluição do carvão em suas famílias, a contaminação das fontes de água e a perda de meios de subsistência ligados à natureza.
Esta decisão é um alívio para cada mulher em Lamu, disse Raya Famau. ”Significa ar mais limpo para nossos filhos, água mais segura para nossas famílias e esperança renovada para nossos meios de subsistência. Também nos lembrou que quando as mulheres se levantam e falam com uma só voz, a mudança realmente acontece.
Agora que o projeto de carvão foi permanentemente rejeitado, a Aliança das Mulheres de Lamu vislumbra um futuro sustentável, inclusivo e equitativo para o condado. Nos próximos anos, a LAWA pretende continuar avançando a justiça climática através da defesa de soluções de energia renovável e limpa, fortalecimento de capacidades para mulheres e jovens na governança climática, e engajamento no diálogo político para influenciar estruturas nacionais que protejam o meio ambiente e promovam ação climática responsiva ao gênero.
Esta vitória fortaleceu a determinação da LAWA de garantir que o desenvolvimento de Lamu permaneça conduzido pela comunidade, sustentável e justo. Serve como exemplo do poder das vozes coletivas em moldar o futuro ambiental do Quênia. Demonstrou que a participação pública não é simbólica, mas uma necessidade, pois é um direito constitucional que determina o curso da política nacional.
A vitória oferece esperança a outras comunidades enfrentando lutas similares. Mostra que, através da solidariedade, persistência e coragem, cidadãos comuns — especialmente mulheres — podem influenciar decisões que moldam o destino de uma nação.
