TAPAJÓS NAS TELAS

Com câmeras e celulares, jovens do Tapajós destacam os impactos das mudanças climáticas em seus territórios e ganham visibilidade em prêmios nacionais e internacionais

Este artigo foi publicado originalmente na 1ª edição da revista Voices for Just Climate Action em junho de 2023. Leia a revista completa aqui.

A apropriação dos meios tecnológicos e da linguagem audiovisual pelas populações tradicionais trouxe um olhar original sobre as questões climáticas e deu aos jovens ativistas do Tapajós o poder de se manifestar, ajudando a Amazônia a ser mostrada pelos próprios habitantes da região. Com o protagonismo desses grupos, as produções possibilitaram a criação de novas linguagens e estéticas para abordar o tema por aqueles que deveriam estar no centro da discussão.

Os vídeos realizados começaram a chamar a atenção e até ganhar prêmios, como o curta-metragem Autodemarcação Munduruku, que conta a história da luta do povo Tupinambá pela proteção de seu território e foi exibido e premiado no Festival de Brasília; o vídeo Grito Ancestral, que conta a história da luta do povo Tupinambá pela proteção do rio Tapajós e sua floresta; a experiência de manejo de abelhas nativas na Amazônia; e o manejo do pirarucu como solução climática. Os três últimos foram premiados no concurso 27na27, promovido pelo Programa VAC para a COP 27.

Por meio de oficinas e apoio à qualificação de produções audiovisuais que vêm sendo experimentadas por coletivos formados por jovens de comunidades indígenas e ribeirinhas, a Coalizão Vozes do Tapajós vem destacando as narrativas das populações amazônicas sobre as mudanças climáticas.

Movimentos premiados fortalecidos por debates sobre mudanças climáticas

Ao incorporar o debate sobre mudanças climáticas em suas agendas, seis organizações comunitárias que representam populações tradicionais e indígenas na região da bacia do rio Tapajós foram fortalecidas em 2022. O conhecimento tradicional e ancestral, combinado com o conhecimento técnico e científico, permitiu que as populações locais obtivessem uma visão significativa das graves ameaças às quais seus territórios estão sujeitos.

Coletivos e movimentos têm aumentado sua mobilização e engajamento na defesa de soluções socioambientais para superar a crise climática, conectando conhecimentos locais e globais, percebendo que os principais afetados pela crise climática são os territórios tradicionais que dependem da floresta para sua sobrevivência.

Embora a Amazônia esteja no centro do debate global sobre a superação da crise climática, esse debate por vezes exclui os atores locais da luta pela conservação ambiental, como os povos indígenas, ribeirinhos, extrativistas e agricultores familiares, entre outros. Nesse sentido, a inclusão da agenda da crise climática nos debates dos movimentos sociais das comunidades ribeirinhas da região do Tapajós nos permitiu compreender o protagonismo desses movimentos nessa luta, por meio de uma agenda compartilhada baseada nas demandas das comunidades amazônicas.

Esse é o objetivo da Coalizão Vozes do Tapajós, formada pelo Projeto Saúde e Alegria, SAPOPEMA, Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns – CITA, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém – STTR, Conselho Indígena Tupinambá – CITUPI, Associação Suraras do Tapajós e Coletivo Audiovisual Daje Kapap Eypi Munduruku, que vem promovendo mobilizações nos territórios, ações de ativismo com foco na agenda climática e eventos de capacitação com lideranças de movimentos e organizações de base, além de treinamento, orientação temática e financiamento para a produção dos vídeos.


A Revista Voices for Just Climate Action é uma publicação produzida coletivamente pela Equipe Regional da VCA Brasil e pelas organizações apoiadas pelo programa no país. Leia a revista completa aqui.

Saiba mais sobre nossos parceiros