ENCONTRO TRINACIONAL DO COLECTIVO DE MULHERES DO GRAN CHACO

Poder e resistência feminina, do coração do Chaco

De 3 a 7 de julho, 200 mulheres indígenas e rurais do Paraguai, Argentina, Bolívia e Brasil reuniram-se para debater e partilhar experiências. Durante dias intensos e valiosos de escuta, reflexão e diálogo, discutiram estratégias para enfrentar os impactos das alterações climáticas no Chaco sul-americano.

O encontro foi realizado sob o lema ”Nosso território é nossa casa: Para uma ação climática justa no Gran Chaco sul-americano”. Ao longo destes cinco dias, falaram da importância dos seus territórios, onde desenvolvem a sua vida e onde são historicamente os protectores dos saberes ancestrais e do ambiente.

Estas mulheres aproveitaram a oportunidade para falar sobre os problemas comuns que enfrentam no dia a dia e também para partilhar as estratégias que estão a desenvolver para conseguir mudanças que possam restaurar os direitos. Sofrem o impacto da crise ambiental no contexto de múltiplas opressões.

Durante os dias da reunião, foram organizados grupos de trabalho para abordar questões como:

  • Água: direitos e segurança no papel das mulheres defensoras do ambiente, considerando que a falta de acesso à água faz parte do quotidiano destas mulheres.
  • Justiça climática: género e violência – respostas adequadas aos conflitos.
  • Educação crítica e inclusiva/interculturalidade.
  • Território: construção política – corpo do território.

Falaram da necessidade de ocupar espaços de decisão nas suas comunidades para poderem influenciar a nível local e nacional através de propostas de soluções que as incluam transversalmente. Referiram a necessidade de formação em liderança, a utilização da tecnologia e, por conseguinte, o acesso à Internet. Isto permitir-lhes-á ligarem-se entre si e com as instituições governamentais na ocorrência de eventos críticos que exijam uma intervenção rápida.

Também partilharam a sua arte através de canções e danças no contexto da Feira Internacional de Artesanato que teve lugar a 6 de julho e onde também puderam vender os seus produtos.

No último dia, deram voz às suas reivindicações e exigências através da leitura de uma declaração colectiva elaborada na sequência dos dias de trabalho. Durante a conferência de imprensa que realizaram, as mulheres sublinharam a importância da defesa dos seus territórios, da proteção do ambiente e do reconhecimento dos seus direitos.

Defenderam o acesso equitativo à água, a luta contra o extractivismo desenfreado e a promoção de práticas sustentáveis que preservem as suas culturas e tradições. Reafirmaram o seu compromisso de continuar a construir alianças, reforçar a participação política das mulheres e trabalhar em conjunto para gerar mudanças significativas nos seus territórios.

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